- E aí, Gabriel, bora marcar aquele happy hour?
Foi assim que começou a minha saga acadêmica/jornalística, a primeira levada a sério, com um quê bem grande de profissionalismo. Vou escrever, me embrenhar, me afundar até as canelas, deixar me levar pela história de Celso Viáfora – já, já, devo comer, andar, dormir e sonhar com essa ideia.
O tal happy hour em um bar da Vila Mariana foi o início, cervejas à mesa, petiscos e tudo mais, foi assim, na boemia, com todo o charme de músico, com toda a história enebriante, amazônia, carioca e paulistana de Celso, com todo o seu branco e preto do Parque São Jorge, todo o seu vermelho e branco do Salgueiro.
Voltar ao passado, acompanhar o presente e vislumbrar o futuro de quem escreve isso que está aqui embaixo é coisa rara, começo dos melhores. Estou dando o meu primeiro passo – e, por Deus que não seja o único – em direção ao jornalismo literário.
Papai noel de camiseta foi gravada pelo Ivan Lins no cedê Novo Tempo, a letra, claro, é do meu perfilado.
Papai Noel irá chegar de camiseta
metido num chinelo e de bermuda jeans
tocando agogô invés de uma sineta
cantando do chará o “Palpite Infeliz”
então, será Natal
A noite vai ser mais felizEstenderá uma toalha na sarjeta
em qualquer praça de subúrbio do País
trará cachaça, arroz, feijão, a malagueta
doce de leite, balas de goma e quindins
aí será Natal
A noite vai ser mais felizE surgirão blocos mirins
de suas camas de jornal
e drag-queens
os reis magros do carnaval
de pé no chão
os solitários da paixão
um tamborim
alguém trará um violão
um bandolim
e a multidão vai sambar com a batida dos sinosAli no morro nascerá mais um menino
e, no primeiro sol, virão os bentevisNum dia de natal
a gente pode ser felizE surgirão blocos mirins
de suas camas de jornal
e drag-queens
os reis magros do carnaval
de pé no chão
os solitários da paixão
um tamborim
alguém trará um violão
um bandolim
e a multidão vai sambar com a batida dos sinosAli no morro nascerá mais um menino
e, no primeiro sol, virão os bentevisNum dia de natal
a gente pode ser felizAli no morro nascerá mais um menino
e, no primeiro sol, virão os bentevisNum dia de natal
a gente pode ser feliz
Feliz, feliz…
A noção de tempo se perde compasso a compasso, segundo a segundo. Em um piscar de olhos, se perde a noção de que os inquietos ponteiros do relógio se movem. O dia, o mês, o segundo, o ano, o minuto: percepções vagas, fellings sem clareza alguma: agora, nada existe além dos acordes da guitarra, da melodia, da voz, do arranjo perfeito.
Como fazer jornalismo e, simultaneamente, sair do gueri-gueri emburrecedor do dia-a-dia dos periódicos? Como jornalizar o que há realmente de mais humano? Como aproximar as pessoas, maximizar o importante, tornar geral o particular sem sensacionalizar? Como?

