É pá vê ou pá comê?

por Gabriel Noleto Reis

Preparem-se para a notícia: estamos em época de Copa do Mundo. Melhor: vivemos dias de uma tentativa de (des)organizar a tal Copa aqui no Brasil, que, sim, já bate às portas do patropi. Não duvidem: 2014 é logo ali adiante.

Em tempos assim, de tanta euforia e cofres – os nossos? – tão abertos, vemos coisas boas e ruins.

Vemos, claro, as listas de convocados para a seleção brasileira cada vez mais com a presença de jogadores que atuam em casa.

Vemos estádios serem erguidos, outros não serem implodidos, outros nem sequer com um tijolo de pé. Mas, felizmente, também vemos craques. Às vezes, vemos Ronaldinho Gaúcho e Fred. Por enquanto, ainda vemos Neymar, Ganso e Lucas. E, quem sabe, ainda veremos Luis Fabiano.

E, por mais incrível que possa parecer, vimos a seleção vice-campeã da Copa do Mundo da África do Sul treinando no Rio de Janeiro. (Sim, o Flamengo – quem diria -, recebeu os jogadores da Holanda em sua sede e, cordialmente, cedeu o campo da Gávea para os treinamentos dos gringos.) Vimos então, e portanto, o subcetêzinho rubro-negro se internacionalizando. Será?

Inclusive, há poucos dias, vimos a divulgação do projeto oficial do megacetêzão do Flamengo, com direito a hotel, campos para ninguém colocar defeito, vestiários modernos, salas de musculação, ambulatórios, sala de ortopedia… Um verdadeiro centro de treinamento.

Mas quando a torcida verá o tão desejado CT do Flamengo de pé e funcionando? Disse a presidente Patrícia Amorim que, em um ano, o lugar estará minimamente servindo ao clube. Será assim: sem estádio mas com lugar para treinar.

– Colé que é… Cês têm CT, rapá? – Assim, daqui a “um ano”, ironicamente, e com toda marra que Romário ensinou, perguntará um flamenguista a um vascaíno ao se lembrar das piadas que ouviu sobre o rubro-negro não ter lugar para treinar.

Em São Paulo, a dupla de letras C e T, hoje, não se fazem ouvir tanto quanto um grupinho de sete letras que o trio C, B e F vem amando: E-S-T-Á-D-I-O. Os times que o têm se gabam, inflam o peito e apontam o queixo ao céu.

– Mano, cê é fiel? Né nada! E nóis? Ham… Véio, nóis tem o Fielzão! Cabô! – Assim, daqui a… (alguém sabe quanto tempo?), dirá um corintiano aos amigos santistas, palmeirenses e são-paulinos depois de uma vitória inconteste do Corinthians no seu novo estádio, sede da abertura da Copa de 14. Será?

Quando vamos ver afinal a infraestrutura ganhar importância e espaço na cabeça dos que tem mais tinta na caneta? Futebol é planejamento, com contas minimamente em dia, já diria uma dupla paranaense, torcedores do Furacão e do Coxa. Que nada, futebol é negócio, ter sócios e suas mensalidades, falaria um gaúcho colorado. Um torcedor do Goiás e outro do Cruzeiro diriam que, sim, um CT, e às vezes mais de um, é tudo na vida de um clube. Um caldeirão, isso é importante para um time, falaria um santista e um palmeirense mais apressado. Que nada, Maracanã basta, bradaria um flamenguista.

Achar todo mundo acha, opinar também, dizer então… E ver? Quando veremos um pensamento único para criar estrutura para o futebol do Brasil? Lugar para treinar e estádio para jogar, os dois melhores centroavantes que um ataque consciente pode ter. Simples assim. De resto, ficam copas, cumbucas e pratos com pavês para inglês comer.

*Texto originalmente publicado no blog PAIXÃO CLUBÍSTICA

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